João Lopes dos Santos (à direita, na foto), Presidente do Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências da U.Porto, Eduardo Castro (à esquerda, na foto) - que foi estudante de doutoramento de João Lopes dos Santos e de Nuno Peres
Oficina CEER
 13-10-2010
FCUP TEM PIONEIROS DA INVESTIGAÇÃO EM GRAFENO

João Lopes dos Santos, Presidente do Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências da U.Porto, Eduardo Castro - que foi estudante de doutoramento de João Lopes dos Santos e de Nuno Peres, e está a realizar um pós-doutoramento em Madrid - e Nuno Peres, da Universidade do Minho, publicaram trabalhos científicos com os investigadores de origem russa André Geim e Konstantin Novoselov, galardoados a 5 de Outubro de 2010, com o prémio Nobel da Física.

Os trabalhos feitos em conjunto pelos três físicos portugueses e por André Geim e Konstantin Novoselov estão referidos num comunicado da academia sueca sobre o prémio.

Os dois galardoados foram responsáveis pela descoberta do grafeno, a forma bidimensional do carbono, com a espessura de apenas um átomo, no centro de Nanotecnologia da Universidade de Manchester, no final de 2004.

Numa altura em que vários grupos tentavam por meios sofisticados criar filmes ultra-finos de grafite, Geim e Novoselov, isolaram grafeno no que Geim chama um hit-and-run experiment; arrancaram bocados de grafite (a substância de um lápis) com fita-cola, e pressionaram a fita-cola sobre uma placa de vidro; descobriram que era possível identificar pedaços de grafeno (no meio de flocos de grafite mais espessos) com um microscópio óptico. Este material demonstrou ter propriedades eléctricas e mecânicas extremamente interessantes do ponto de vista de aplicações.

Em 2007 foi publicado um artigo na revista Physical Review Letters elaborado por Novoselov, Geim e pelos três físicos portugueses, no qual se demonstrava a possibilidade de variar o hiato de energia de um semicondutor constituído por duas camadas de grafeno por aplicação de um campo eléctrico.

"É fantástico para o nosso país haver portugueses a fazerem trabalhos com físicos reconhecidos e isso ser referenciado no comunicado da Academia", disse Carlos Fiolhais, da Universidade de Coimbra, à agência Lusa.

O grafeno está já a ser produzido em larga escala por algumas empresas e poderá vir a ser utilizado em células solares, em ecrans tactéis (touch-screens), em electrónica (o mais rápido transístor analógico já é feito com grafeno) e em qualquer outra área onde a imaginação dos investigadores encontre aplicação para as propriedades extraordinárias deste material.

Fonte: http://noticias.up.pt