Oficina CEER
 23-11-2010
WORKSHOP SOBRE DESCENTRALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE RECURSOS RENOVÁVEIS

Vão realizar-se em Portugal dois Workshops dedicados ao tema da DESCENTRALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO DE RECURSOS RENOVÁVEIS NA REQUALIFICAÇÃO URBANA, dando enfoque à demonstração das oportunidades de intervenção que resultam da actual conjuntura no âmbito da Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior em Edifícios, com relevo para a Descentralização da Produção de Recursos Renováveis à Escala do Edificado. Será ainda salientada a integração dos novos conceitos “utilizador-produtor”, “redes inteligentes e bi-direccionais” e “armazenamento descentralizado de recursos” à escala urbana.

O primeiro destes Workshops terá lugar em Vila Real no Pequeno Auditório do Teatro de Vila Real, no dia 16 de Novembro de 2010, com início às 14h, e o segundo Workshop terá lugar em Lisboa, no dia 25 de Novembro. O Workshop que decorrerá em Vila Real, é organizado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e dirigido a todos os decisores e técnicos que influenciam a qualidade de construção do meio edificado e enquadra-se numa Parceria entre a Agência Portuguesa do Ambiente, a Agência para a Energia, a Iniciativa Construção Sustentável, a UTAD e a Câmara Municipal de Vila Real.

As energias renováveis no planeta estão distribuídas de uma forma desigual mas são infinitas. Portugal é um dos países com bastantes recursos endógenos renováveis. Por esta razão, logo que os souber utilizar de forma eficaz e bem distribuída, tem todas as condições para ser classificado entre os países mais prósperos da Europa. Para podermos beneficiar todos desta prosperidade, precisamos de participar na descentralização da oferta de energia e de aproveitar o acesso que temos às energias renováveis para instalarmos sistemas eficientes que captem e transformem essas energias e as convertam em energias úteis. A energia solar, eólica, geotérmica e de biomassa são energias endógenas e renováveis que permanecem ao nosso alcance e que, com as tecnologias disponíveis, conseguimos transformar em energias úteis.

Os sistemas que transformam as energias renováveis em energia útil devem ser implementados na nossa região de uma forma alargada, para tirarmos o melhor proveito das nossas excepcionais condições climáticas, tornando-nos, todos os dias, mais prósperos. Precisamos de desencadear o processo necessário para transformar o Sol, para já, em fonte de rendimento para todos nós, para além de fonte de conforto. Se utilizarmos as tecnologias disponíveis, podemos transformar os raios solares em calor útil para as nossas casas e em energia eléctrica e é fácil imaginar que, gradualmente, todos os nossos telhados e algumas fachadas bem orientadas sejam munidos de sistemas que transformam a energia renovável do sol em energia útil, equiparando, potencialmente, a produção ao respectivo consumo de energia. A produção descentralizada de energia deverá, em primeiro lugar, ser aproveitada para satisfazer os consumos internos da própria casa, porém, a energia sobrante, contabilizada por um contador bi-direccional, deverá ser introduzida na rede eléctrica, para ser utilizada por outra casa nas proximidades ou para ser armazenada até se tornar necessária. Por este motivo, devemos recorrer, em primeiro lugar, à energia térmica endógena e renovável para satisfazermos as nossas necessidades de conforto térmico e não às energias de origem predominantemente fóssil, conforme nos são disponibilizadas pelas redes energéticas. É importante considerar ainda que a eficiência energética é, sem qualquer dúvida, a forma mais eficaz de investirmos na nossa prosperidade a curto, médio e longo prazo porque, quanto menores forem os recursos consumidos para atingirmos o desempenho desejado, mais fácil e económico se tornará gerir sistemas que nos suportem. A eficiência passa também pelos equipamentos consumidores de energia de que dispomos em casa, bem como pelos nossos comportamentos como utilizadores de energia. Por exemplo, utilizarmos hoje lâmpadas incandescentes é quase inaceitável e, muito em breve, estas serão mesmo retiradas do mercado, mas o tempo que iremos deixar acesos os pontos de luz, mesmo quando eficientes ou muito eficientes, é uma questão chave que nos diz respeito directamente! Para usufruirmos de todo o potencial da eficiência energética, precisamos de continuar a utilizar a energia de uma forma racional, mesmo que os sistemas utilizados já sejam mais eficientes.

Fonte: http://www.utad.pt