Oficina CEER
 08-10-2007
Exposição de Pedro Maia “Blind Stories & Outras Estórias”

“Blind Stories & Outras Estórias” é uma exposição de fotografia e manipulação digital e stará patente ao público de 6 a 30 de Outubro. "Questões que percorrem o trabalho de Pedro Maia e se mostram particularmente actuantes nestas Blind Stories, que nos perturbam e comovem. Porque o artista, hábil manipulador de imagens e de conceitos, se compraz em inquietar-nos com o comum, servindo-se quer dos processos da fotografia, quer das técnicas do desenho, quer dos ecos da pintura para uma breve narrativa do olhar, onde ao jogo barroco da luz/sombra, forma/disforme, céu/terra, se aliam conceitos românticos como tempestade/paixão, solidão/liberdade, natural/construído.

Numa leveza que contamina as imagens com efeitos em tudo semelhantes aos que a passagem do tempo produz sobre as nossas memórias e vivências, diluindo-lhes os contornos e cobrindo-as com uma película nebulosa que chega a assemelhar-se à dos sonhos.

As nuvens, bicicletas, linhas, árvores, os arcos presentes em Blind Stories são símbolos quer da nostalgia e melancolia, quer da alegria e liberdade de alguém que sabe que o mínimo é aliado do máximo e que prescinde da figura humana, consciente de que ela é, hoje, omnipresente.

Essa ausência da figura humana irmana-nos com o artista, já que somos, como ele, espectadores de paisagens da alma. Paisagens que ele seleccionou e tratou quase diríamos com a mesma voluptuosidade com que Proust ficcionou a sua busca do tempo perdido. Ao mesmo tempo que nos alerta para um sentido ético da imagem, em tudo contrário ao olhar obsceno que polui grande parte da comunicação do nosso tempo.

Blind Stories configura um dos momentos altos da arte, seja por fazer a ponte entre a poesia (ou a memória) e a filosofia (ou a aprendizagem da morte), seja pelo conjunto de sensações que nos oferece, tão rentes à arquitectura da nossa vida e tão, como ela, sujeitas às intempéries mais violentas e aos dias mais luminosos. Irradia, como um desses desenhos orientais em papel de arroz, comunicando-nos o que de intensidade e paixão parece ter estado na sua origem".