Oficina CEER
 30-03-2020
U.PORTO PRODUZ VISEIRAS DE PROTEÇÃO PARA OS PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Multiplicam-se esforços no combate à Covid-19. E os apelos para ajudar os profissionais que estão na linha da frente soaram forte na Universidade do Porto. Numa iniciativa inédita de mobilização da comunidade, a U.Porto, em parceria com o Instituto Politécnico do Porto (IPP), juntou mais de 20 mil folhas de acetato no espaço de uma semana. O objetivo é só um: usar esse material no desenvolvimento e fabrico – por impressão 3D – de viseiras para proteção dos profissionais de saúde.

A produção em larga escala arrancou na semana passada e inclui dois modelos de viseiras: um para os profissionais dos centros de saúde e um outro para ser distribuído nas unidades hospitalares. Tudo isto articulado e devidamente validado por profissionais de saúde da ARS-Norte e num esforço coletivo liderado por investigadores da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP), dos centros de investigação do INEGI/LAETA e INESC-TEC, do Instituto Superior de Engenharia Porto (ISEP), assim como estudantes e empresas.

Por enquanto, e se tudo correr dentro do previsto, vão ser distribuídas mais de 6 mil viseiras pelos Hospitais de S. António e S. João (Porto), Hospital de Gaia-Espinho, IPO-Porto. As viseiras chegarão também à ARS-Norte, que fará com que elas cheguem aos Centros de Saúde da região Norte.

Dar “resposta direta” às necessidades no terreno

Para Pedro Rodrigues, Vice-Reitor da U.Porto com o pelouro da Investigação e um dos principais impulsionadores da iniciativa, “este projeto tem a particularidade assinalável de ser um esforço conjunto de toda a comunidade académica da Universidade do Porto e do IPP, envolvendo unidades de investigação, faculdades e até equipamentos pessoais (impressoras 3D) de docentes e estudantes, que, em conjunto, terão a capacidade para produzir mais de 1000 viseiras por dia para várias unidades de saúde do Norte do país”.

O mesmo responsável assume ainda que “é muito gratificante verificar a capacidade de mobilização da Academia para providenciar um equipamento essencial de proteção para os profissionais de saúde que estão na linha da frente do combate à Covid-19”. Até porque “o modelo que por todos será produzido foi desenvolvido de forma a dar resposta direta às necessidades específicas dos médicos, enfermeiros e auxiliares que irão usar diariamente estas viseiras”, remata.

“Demonstração de grande generosidade”

Pedro Ponces Camanho, Professor Catedrático da FEUP e um dos responsáveis por todo o processo de desenho das viseiras e respetiva validação, confessa-se igualmente “impressionado” com o trabalho de mobilização alcançado “num curto espaço de tempo”.

“O projeto, a validação e a produção de um número muito elevado de viseiras só foi possível graças à excelente articulação de esforços entre a U.Porto e as suas unidades orgânicas, o IPP, o INEGI/LAETA, o INESC-TEC e um grande número de estudantes e empresas que, numa demonstração de grande generosidade, disponibilizaram as suas impressoras 3D e material para produzir as viseiras”, admite o também investigador do INEGI, que, por estes dias, está igualmente envolvido num projeto de impressão de armações para os óculos de proteção de profissionais de saúde, desenhados pelo VivaLab e pela ESAD, com o apoio da Câmara Municipal do Porto.

Empresas da UPTEC também doam viseiras

Entretanto, e numa iniciativa paralela, três empresas instaladas na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto estão também a produzir viseiras de proteção para os profissionais de saúde. No total, a Biofabics, Everythink e a Fraunhofer já doaram mais de 150 viseiras de proteção individual para unidades de saúde como o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Hospital da Luz (Arrábida), IPO Porto ou USF Matosinhos.

À semelhança do que acontece no projeto liderado pela U.Porto e pelo IPP, as viseiras de proteção “made in UPTEC” são criadas com recurso a equipamentos próprios de fabricação aditiva – impressoras 3D –, e com folhas de acetato, que são facilmente substituíveis.

No cowork laboratorial da UPTEC, a Biofabics já produziu mais de 100 peças. Em poucos dias, e depois de um anúncio online, a empresa “recebeu mais de 2000 pedidos, oriundos de todo o tipo de unidades de saúde do país.”, adianta Pedro Costa, CEO desta startup especializada no investigação e desenvolvimento em análogos de biotecidos 3D.

Já no Gabinete de Desenvolvimento de Produto da UPTEC, a Everythink – estúdio de design fundado por antigos estudantes da FEUP – já criou mais de 30 viseiras, entretanto doadas ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Hospital da Luz (Arrábida) e USF Matosinhos.

Por fim, o centro de investigação Fraunhofer AICOS, instalado na UPTEC desde 2009, está também empenhado em ajudar a dar resposta à escassez de equipamento de proteção individual. Só numa primeira fase, o centro vai doar 50 viseiras ao IPO Porto.

Fonte: noticias.up.pt