Oficina CEER
 11-12-2020
INTERNACIONALIZAÇÃO EM DEBATE NA SEMANA DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA DA UTAD

As instituições de ensino superior (IES) estão hoje, num quadro de globalização da ciência, da tecnologia e da cultura, confrontadas com o desafio da internacionalização. É assumido que esta corresponde a um processo complexo e contínuo, que comporta iniciativas em todas as áreas inscritas na missão das IES, do ensino à valorização do conhecimento, e a construção de uma nova cultura e de um novo ambiente no campus.

Foi com este mote que se realizou, no passo dia 27 de novembro, o Fórum online, "Internacionalização das Universidades: Desafios e Oportunidades", que reuniu um painel moderado pelo Vice-Reitor Artur Cristóvão e constituído por cinco convidados: Carla Martins, Pró-Reitora da Universidade do Minho e membro do Comité Executivo do Grupo Compostela de Universidades; Joan Martin-Montaner, Vice-Reitor da Universidade Jaume I e Coordenador do Consórcio CURE; José Luís Luque Alejo, Coordenador de Relações Internacionais e Interinstitucionais da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; Marcello Scalisi, Diretor da UNIMED União de Universidades do Mediterrâneo; e Valerià Paul, Diretor da Fundação CEER e Professor da Universidade de Santiago de Compostela.

As intervenções iniciais abordaram o impacto da pandemia, por todos considerado negativo nas dinâmicas de internacionalização, muito embora tenha feito as universidades olharem para possibilidades que, embora já existentes, eram menos valorizadas, muito em especial o uso das novas tecnologias de comunicação e de ensino à distância. De uma forma geral, os oradores sublinharam o decréscimo nas mobilidades, a par de iniciativas que procuram a sua virtualização, embora com menor grau de interesse e sucesso.

O Diretor da Fundação CEER, Valerià Paul, destacou em especial o caso das mobilidades IACOBUS (entre instituições do Norte de Portugal e da Galiza), em que se registaram alguns atrasos, estando a se equacionado um calendário diferente para o próximo ciclo. Falou também do grande projeto "Universidades Sem Fronteiras", que envolve as 6 IES públicas do norte de Portugal e da Galiza, e da importância de explorar a possibilidade de projetos com universidades da américa latina e países africanos, nomeadamente com fundos Erasmus, e da possibilidade da Fundação CEER constituir um exemplo para outras situações de cooperação transfronteiriça.

Marcello Scalisi, Diretor da UNIMED, referiu em particular o papel desta rede de IES, criada há 50 anos e envolvendo cerca de 130 instituições de 23 países de toda a bacia mediterrânica, destacando que no contexto da pandemia as preocupações se viraram para questões como garantir as atividades regulares de ensino, dar soluções para os problemas dos estudantes e promover a sua participação. Por outro, sublinhou que a internacionalização continuará a ser marcante e que as IES têm de se preparar para os efeitos de longo prazo da pandemia, sendo vital o empenho dos governos e da União Europeia. No que toca aos países do sul do Mediterrâneo, não deixou de afirmar que se batem com desafios diferentes, como a falta de autonomia instituicional e de liberdade académica, sendo claro que as universidades de países árabes têm grande interesse na cooperação com universidades europeias.

Falando do Grupo Compostela de Universidades, Carla Martins mencionou que envolve atualmente mais de 60 universidades de todo o mundo, cobrindo as suas atividades áreas tão diversas como as mobilidades, as iniciativas de promoção da investigação, os concursos de vídeo, prémios e conferências virtuais, como o objetivo global de promover a partilhas de experiências e ajuda mútua entre parceiros, com grande espírito de inclusão e abertura.

Joan Martin-Montaner apresentou o consórcio CURE, pequena rede de universidades europeias comprometidas com o desenvolvimento regional, através da investigação, ensino e formação contínua, dando exemplos de algumas das iniciativas já realizadas ou em processo, incluindo uma candidatura a uma “call” especial do Programa Erasmus relativa à digitalização do ensino. Do Brasil, através de José Luís Luque Alejo, ficou o desafio para se promover maior reciprocidades nos intercâmbios de estudantes, estando a UFRRJ a preparar medidas de estímulo à vinda de estudantes estrangeiros, nomeadamente a atribuição de subsídios em dinheiro e reforço da disponibilidade de alojamento. Por outro lado, destacou a importância da “internacionalização em casa”, com mais aulas em inglês e espanhol e mobilidades virtuais.

De uma forma geral, todos os intervenientes no painel se mostram convictos de que os processos de internacionalização vão continuar, apesar do quadro de incerteza, certamente com maior uso de meios digitais, mais mobilidades virtuais e valorização de diferentes formas de internacionalização em casa, embora os intercâmbios no formato tradicional, com deslocações físicas, sejam muito desejados e valorizados. Como foi bem destacado, existe um espaço enorme para a cooperação entre IES, estando a responsabilidade da sua promoção efetiva nas mãos das instituições, nomeadamente valorizando a participação em redes e a dinamização de atividades no âmbito de protocolos bilaterais.

INTERNATIONALIZATION DEBATED AT UTAD’S SCIENCE AND TECHNOLOGY WEEK

Higher education institutions (HEIs) are today, in a context of globalization of science, technology and culture, faced with the challenge of internationalization. It is assumed that this corresponds to a complex and continuous process, which involves initiatives in all areas included in the mission of the HEIs, from teaching to the enhancement of knowledge, and the construction of a new culture and a new environment on the campus.

It was with this motto that, on November 27th, the online Forum, "Internationalization of Universities: Challenges and Opportunities" took place, which brought together a panel moderated by UTSD’s Vice-Rector Artur Cristóvão, and made up of five guests: Carla Martins, Pró -Rector of the University of Minho and member of the Executive Committee of the Compostela Group of Universities; Joan Martin-Montaner, Vice-Rector of Jaume I University and Coordinator of the CURE Consortium; José Luís Luque Alejo, Coordinator of International and Interinstitutional Relations at the Federal Rural University of Rio de Janeiro; Marcello Scalisi, Director of UNIMED, Union of Mediterranean Universities; and Valerià Paul, Director of the CEER Foundation and Professor at the University of Santiago de Compostela.

Initial interventions addressed the impact of the pandemic, which was considered by all to be negative in the dynamics of internationalization, even though it made universities look at possibilities that, although already existing, were less valued, especially the use of new communication and distance learning technologies. In general, the speakers underlined the decrease in mobility, along with initiatives that seek their virtualization, although with a lesser degree of interest and success.

The Director of the CEER Foundation, Valerià Paul, highlighted in particular the case of IACOBUS mobilities (north of Portugal and Galicia), in which there were some delays, and a different timetable is being considered for the next cycle. He also spoke about the great project “Universities Without Borders”, which involves the 6 public HEIs in the north of Portugal and Galicia, with a view to creating a joint educational offer at the master’s and doctoral levels. He also spoke of the importance of exploring the possibility of projects with universities in Latin America in African countries, namely with Erasmus funds, and of the possibility of the CEER Foundation being an example for other situations of cross-border cooperation.

Marcello Scalisi, Director of UNIMED, mentioned in particular the role of this HEI network, created 50 years ago and involving about 130 institutions from 23 countries across the Mediterranean basin, highlighting that in the context of the pandemic, concerns turned to issues such as regular teaching activities, providing solutions to students’ problems and promoting their participation. On the other hand, he stressed that internationalization will continue to be importante and that HEIs must prepare for the long-term effects of the pandemic, with the commitment of governments and the European Union being vital. With regard to the countries of the southern Mediterranean, he mentioned that they face different challenges, such as the lack of institutional autonomy and academic freedom, and that universities in Arab countries have a great interest in the cooperation with European universities.

Speaking of the Compostela Group of Universities, Carla Martins mentioned that it currently involves more than 60 universities from around the world, covering its activities in areas as diverse as mobility, research promotion initiatives, video contests, prizes and virtual conferences, with the global objective of promoting the sharing of experiences and mutual help between partners, with a great spirit of inclusion and openness.

Joan Martin-Montaner presented the CURE consortium, a small network of European universities committed to regional development, through research, education and continuous training, giving examples of some of the initiatives already carried out or in process, including an application for a special "call" of the Erasmus Program on the digitization of education.

From Brazil, through José Luís Luque Alejo, the challenge remained to promote greater reciprocity in student exchanges, with UFRRJ preparing measures to encourage the arrival of foreign students, namely the allocation of cash subsidies and reinforcement of the availability of accommodation. On the other hand, he highlighted the importance of "internationalization at home", with more classes in English and Spanish and virtual mobility.

In general, all the participants in the panel are convinced that the internationalization processes will continue, despite the uncertainty, certainly with greater use of digital media, more virtual mobility and appreciation of different forms of internationalization at home, although exchanges in the traditional format, with physical travel, are highly desired and valued. As has been highlighted, there is a huge space for cooperation between HEIs, with the responsibility for their effective promotion in the hands of the institutions, namely by valuing participation in networks and boosting activities under bilateral protocols.

Fonte: www.utad.pt