Oficina CEER
 29-12-2010
CONSUMO E CRISES EM PORTUGAL: ABORDAGENS E PERSPECTIVAS

Aprender a consumir em tempos de crise. Está aberto, até ao dia 31 de Janeiro de 2011, o Call for Papers para o I Encontro Consumo, Cultura e Sociedade.

Com o mote Consumo e Crises em Portugal: abordagens e perspectivas este encontro pretende explorar, dada a escassez de estudos em Portugal e de uma reflexão que considere seriamente estas questões, nomeadamente, no seio da sociedade portuguesa, abordagens teóricas do consumo: os contributos da teoria social contemporânea para compreender consumo e crises; consumo em tempos de crise: impacto e estratégias criativas nos séculos XX e XXI; consumo sustentável: o papel do Estado e dos novos movimentos sociais no actual contexto da crise; novas formas de reconfigurar as interacções entre produção e consumo nas sociedades do presente e do futuro.

Os resumos, com máximo de 300 palavras, devem ser enviados para encontroconsumo@gmail.com.

Este tema é cada vez mais explorado por cientistas sociais e investigadores que se centram analiticamente nalgumas das suas principais características: o aumento exponencial de bens e serviços; os novos padrões de consumo; uma democratização de bens e produtos; a quebra de costumes e instituições; a diversificação de valores e comportamentos; a extensão dos direitos sociais; novas formas de lazer e o incremento de processos de individualização e estetização bem como dos valores hedonistas junto do consumidor (Warde, 1997; Sassatelli 2007, Featherstone, 1991).

Nestas sociedades, o consumo é uma das principais formas de reprodução social e de diferenciação. Assim, valores, crenças e práticas são perpetuados através do consumo, alimentando a memória colectiva da sociedade e reforçando, paradoxalmente, as clivagens e convergências em diversas esferas sociais (política, religiosa, social, cultural).

Ao longo das últimas décadas alguns dos traços característicos de uma sociedade de consumo tornaram-se visíveis em Portugal. Entre as mudanças que contribuíram para o desenvolvimento da sociedade de consumo salientamos: a queda do regime ditatorial, em 1974 e a consolidação de um Estado democrático; o livre acesso a bens e serviços, especialmente após a adesão à União Europeia, em 1986, e consequente acesso a um quadro político-económico de liberalização dos mercados internacionais; a flexibilidade do acesso a bens de consumo pelo sistema bancário por meio de facilidades de crédito; o aumento da feminização no trabalho e na educação; o aumento da urbanização fruto do incremento de diferentes mobilidades (dentro e fora do país); o aumento dos níveis de escolarização da população; a aceleração e extensão das tecnologias de informação acompanhado por um aumento generalizado do rendimento disponível*. Estes factores contribuíram para a consolidação de uma sociedade de consumo em Portugal, e com ela proliferaram, também, os aspectos moralmente qualificados como mais negativos do consumismo: o seu materialismo crescente, o individualismo, a insustentabilidade, o endividamento do consumidor e as desigualdades sociais na distribuição e no acesso a bens materiais e não materiais (simbólicos e culturais).

Em oposição, vozes dissidentes ganham visibilidade e propõem novas formas de vida e de consumo nas sociedades contemporâneas. Em Portugal, são cada vez mais visíveis os movimentos críticos ao consumo. Estes enfatizam um conjunto de preocupações, incluindo as questões do consumo sustentável (por vezes qualificado como consciente ou responsável), das desigualdades sociais, a preservação da tradição e da autenticidade, da vida calma, sossegada e tranquila (expressos pelos movimentos da voluntary simplicity e do slow movement), entre outros aspectos.

Este encontro terá lugar nos dias 8 e 9 de Abril na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A participação é gratuita, estando, contudo, sujeita a inscrição para o email encontroconsumo@gmail.com. Os interessados deverão indicar: nome, instituição e endereço electrónico.

Fotografia do filme Confessions of a Shopaholic.

* (Consultar: Santos, 1993; Barreto, 1996 e 2000; Viegas e Firmino, 1998; Pureza e Ferreira, 2002, Faria et al, 2004).

Call for papers: https://sites.google.com/site/encontroconsumo/

Fonte: http://noticias.up.pt