Oficina CEER
 29-04-2010
CCG INTEGRA CONSÓRCIO EUROPEU PARA O DESENVOLVIMENTO DE UM AMBICIOSO PROJECTO DESTINADOS A PESSOAS IDOSAS

O Centro de Computação Gráfica, instituição de interface para a área das TICEs da Universidade do Minho e do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, integra, desde Fevereiro de 2010, um consórcio europeu que irá desenvolver um projecto inovador no apoio a pessoas idosas. O principal objectivo é explorar o poder computacional de equipamentos que fazem parte do dia-a-dia das pessoas deste universo populacional, nomeadamente do conjunto Set-Top Box e Televisor, para facilitar o acesso a produtos e serviços e promover alguns aspectos de inclusão social.

O Centro de Computação Gráfica (CCG) integra um consórcio Europeu responsável pelo desenvolvimento do projecto GUIDE, acrónimo para “Gentle User Interfaces for Disabled and Elderly Citizens”, o qual foi iniciado no passado mês de Fevereiro. Co-financiado pelo sétimo programa quadro da Comissão Europeia, a partir de uma candidatura à chamada de propostas para o objectivo “Accessible and Assistive ICT (ICT‐2009‐7.2)”, este projecto é liderado pelo Fraunhofer IGD (Alemanha) e conta ainda com a participação de importantes parceiros europeus, nomeadamente a Universidade de Cambridge (Reino Unido), a Thomson R&D (França), a Fundação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Portugal), a Vsonix GmbH (Alemanha) e a Fundacion Instituto Gerontológico Matia – INGEMA (Espanha).

A proposta contratualizada com a Comissão Europeia prevê o desenvolvimento de um conjunto de estudos e ferramentas para facilitar a implementação de interfaces com o utilizador, altamente adaptáveis e multimodais, e que incorporem os requisitos de acessibilidades no uso de set-top boxes e TV como plataforma de processamento e de comunicação, orientadas para pessoas idosas no seu ambiente familiar. “Na posse do software, hardware e documentação que será desenvolvida, os produtores de tecnologia de informação e comunicação estarão em posição de mais facilmente implementar aplicações de verdadeira acessibilidade, usando as tecnologias mais recentes em termos de interface com o utilizador, com tempo e risco de desenvolvimento reduzidos e custos mais baixos”, refere Luís Almeida, gestor do projecto por parte do CCG.

De facto, o envelhecimento e as acessibilidades são dois aspectos que estão intimamente relacionados em muitos contextos, incluindo a interacção com computadores. Por exemplo, estatisticamente cerca de 50% das pessoas idosas sofrem de algum tipo de problema, como sejam disfunções motoras, o que impõe vários problemas e desafios em termos de interacção social. Pensando nestes potenciais utilizadores, as denominadas tecnologias de informação e comunicação acessíveis podem fazer toda a diferença em termos de qualidade de vida, comparativamente a outros universos de utilizadores: elas capacitam e simplificam a participação e inclusão nas comunidades sociais e profissionais que as rodeiam.

Os mais recentes avanços em termos de interfaces Homem-Computador, tais como as tecnologias de Terceira Geração baseadas em gestos, multitoque, reconhecimento e controlo por voz, alfabetos acústicos e outras modalidades avançadas de entrada/saída de dados, estão gradualmente a estabelecer-se como estado da arte. Adaptadas de forma correcta, tais interfaces permitem, de facto, que utilizadores mais idosos ou com limitações físicas consigam interactuar com as aplicações informáticas de forma mais intuitiva e apoiada. Para além disso, o incremento verificado na disponibilidade e utilização generalizada de set-top boxes e TV nos ambientes familiares, permite ter disponível uma plataforma computacional para instalar e utilizar estas aplicações informáticas de interface com utilizador acessível.

Apesar destas tendências positivas, a implementação de interfaces com o utilizador com verdadeiras características de acessibilidade ainda é cara e representa risco para as empresas tecnológicas habilitadas a desenvolver este tipo de aplicações. Entre outras, elas têm que lidar com necessidades e limitações específicas dos utilizadores (incluindo a falta de proficiência em informática), assim como o enfrentar dos desafios tecnológicos das abordagens inovadoras em interacção com o utilizador, as quais implicam experiência e esforço especial. Em face disto, muitas das empresas que desenvolvem soluções de informação e comunicação preferem ignorar os requisitos de “utilizadores especiais” e não endereçar este enorme universo de potenciais utilizadores. O Projecto GUIDE, com duração total de 36 meses, foi pensado e concebido para contribuir decisivamente para alterar esta situação.

O CCG irá contribuir com várias componentes para o projecto, destacando-se o desenvolvimento e adaptação da sua tecnologia de avatares (“assistentes virtuais”) para apoio na interface com utilizador. Os avatares irão dar uma face humana ao sistema, e deverão ajudar o utilizador idoso a usufruir da melhor forma possível das amplas funcionalidades do sistema, sem ansiedades nem receios. Ido Iurgel, CTO do CCG, refere além desta tecnologia a aplicação de todo um vasto conhecimento em termos de digital storytelling e, conjuntamente com a Universidade do Minho, os conceitos e estudos em termos de User Experience Design e User Centered Design, na fase de levantamento de requisitos e testes piloto. Neste contexto, o CCG e a Universidade do Minho pesquisarão novos métodos para o desenvolvimento de produtos para idosos, métodos estes que resultarão em produtos mais adequados e mais funcionais para este grupo de utilizadores.

Para o director executivo do CCG, Eduardo Pinto, integrar um projecto ambicioso como este, e estar ao lado de parceiros internacionais como os deste consórcio, representa reconhecimento da capacidade técnica e científica do CCG, mas “é também, e acima de tudo, uma oportunidade para aprender contribuindo para o estado da arte e para podermos explorar os resultados para o universo português e internacional onde o CCG actua”, conclui.